Principal Elemento que Compõe a Cerveja
A água, que responde por mais de 90% de sua fórmula. Por isso, utilizar água limpa e de composição mineral equilibrada – pobre em sódio, por exemplo – é uma exigência básica para fabricar boa cerveja. No caso das industrializadas em larga escala, um tratamento químico equilibra as propriedades minerais da água, uniformizando o sabor do produto final. Uma das diferenças da cerveja artesanal, portanto, é contar com nuances de diferentes tipos de água. Outro item fundamental é o malte, espécie de grão umedecido até que comece a brotar, num processo que quebra o amido em açúcares mais fáceis de serem digeridos pelo fermento – o que produz o álcool e o gás da cerveja. O malte mais comum é feito de semente de cevada, mas a cerveja pode levar outros cereais, como arroz, milho e aveia, maltados ou não. A procedência e o método de secagem do malte definem a cor e algumas peculiaridades de sabor da bebida. “O malte evoca aquela experiência escolar de plantar o feijão no algodão, lembra? Quando a cevada começa a brotar é que colhemos o malte e o colocamos para secar. Há diferentes tempos de secagem e diferentes porcentagens de presença do malte na cerveja, o que confere sabores mais ou menos tostados, mais ou menos maltados”, explica o cervejeiro Paulo Feijão (PR). Por fim, o processo recebe a adição de lúpulo. Sem ele, a cerveja seria doce. Essa plantinha da família da maconha é que dá o amargor característico da bebida. O lúpulo também confere aromas e é um bactericida natural – isso, aliado ao álcool, fazia da cerveja uma alternativa segura para matar a sede nos tempos em que boa parte das fontes de água era contaminada. Na verdade, a cerveja não mata a sede, pelo contrário, possui efeito diurético que favorece a desidratação, mas os antigos não sabiam disso. A toda essa mistura deve ser adicionado levedo, uma espécie de fungo monocelular que ajuda na reação de fermentação da cerveja. A digestão microbiana, como a nossa, também produz alguns gases – eis as bolhas de CO2 da cerveja. Como tudo isso acontece em escala microscópica, a fermentação demorou até o século XIX para ser compreendida e controlada. A forma como esse processo é feito é que vai determinar o tipo de cerveja obtido, e quem coordena essa mistura e decide o tempo de fermentação e a escolha das matérias primas, o responsável pelo sucesso ou fracasso do produto final, é o mestre cervejeiro. Figura mítica no imaginário de quem é fã da bebida, o mestre é o responsável por criar a fórmula de uma cerveja, escolher as matérias primas e determinar como cada uma delas será preparada. “Essa é uma figura fundamental no preparo da cerveja. O mestre cervejeiro é quem coordena todo o processo de produção, as condições de temperatura dos tanques onde ocorre a fermentação, escolhe o tipo e a quantidade de lúpulo a ser usado e faz o monitoramento da qualidade final do produto”, detalha Paulo Feijão. O processo para tornar-se um mestre cervejeiro dura anos e, atualmente, já existem até cursos em entidades renomadas, como o Senac, que pesquisam com rigor acadêmico os métodos de produção da cerveja. “Há muitas cervejarias em que o mestre é apenas um consultor, que passa pela linha de produção eventualmente para acompanhar a execução da receita. Em outras, porém, esse profissional acompanha de perto todo o processo, e o resultado tende a ser bem melhor ao fim da produção”, diz Feijão.A cerveja conta a história do mundo 3400 a.C. Estudos arqueológicos apontam que os egípcios já produziam cerveja na Antiguidade, por meio da fermentação da mistura de sementes de trigo e água. A descoberta fez os egípcios descobrirem os prazeres da embriaguês. 1730 a.C.Uma regra publicada na Mesopotâmia visava punir mestres cervejeiros que errassem a mão, produzindo bebidas de péssima qualidade. A pena era a morte por afogamento em tonéis de cerveja. Idade MédiaÉ nesta época que há registro da descoberta do lúpulo, que, adicionado à cevada, produzia bebidas de melhor sabor. Durante muitos séculos da Idade Média, a cerveja era vista como uma fonte segura de bebida. Afinal, boa parte da água disponível era contaminada e as cervejas, em razão do álcool, estavam protegidas das bactérias. Como boa parte da produção nesta época era feita em mosteiros e construções religiosas, tornava-se comum o fato de padres e eclesiásticos serem os maiores especialistas na bebida. Alguns homens beatificados pela Igreja, como Santo Agostinho (354-430), Santo Arnaldo (1040-1087) e São Venceslau (907-929) eram notórios cervejeiros, sendo o primeiro deles o padroeiro da cerveja. Século XVIFoi em 1516 que o ducado da Baviera, na região da Alemanha, publicou uma lei determinando que cerveja de verdade deveria conter somente malte, água e lúpulo. A norma foi fundamental para limitar as invencionices dos cervejeiros e contribuir para a Baviera legitimar-se como uma referência na produção da boa cerveja. Some-se a isso o fato de a região ter solo e clima adequados à produção de malte e lúpulo de ótima qualidade. Séculos XVI e XVIIOs alemães começam a produzir as primeiras cervejas tipo Lager e passam a valorizar mais a importância da fermentação. Uma inovação alemã foi descobrir o processo de secagem do malte, o que permitiu, pela primeira vez, produzir cervejas mais claras. 1808A corte de Dom João VI trouxe a cerveja para o Brasil e, a partir da década de 1830, a bebida passou a ser produzida aqui mesmo, com matéria prima importada. As cervejarias Brahma e Antarctica surgiram em 1888.1876O químico francês Louis Pasteur publica a obra Estudos Sobre a Levedura da Cerveja, em que descreve a ação do fungo Saccharomyces cerevisiae na fabricação da cerveja. Foi a primeira vez que se compreendeu seu processo de fermentação. 1935Lançada a primeira cerveja em lata, da Cervejaria Krueger, dos Estados Unidos. 2008Os gigantes brasileiros Brahma e Antarctica se fundem na AmBev, que viria a se unir com a belga Interbrew para formar a InBev, maior companhia cervejeira do mundo, que a seguir comprou a americana Anheuser-Busch.Consumo moderado pode beneficiar saúdeCerveja nunca foi símbolo de saúde, mas estudos recentes de renomadas universidades europeias destacam benefícios na prevenção do câncer e melhora da capacidade cardíaca de quem consome baixas quantidades do produto, como dois ou três copos de 200 ml por semana. Uma das pesquisas que apontam benefícios da cerveja foi publicada há um ano pela Universidade de Granada e pelo Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha. O estudo baseia-se no fato de a bebida ser rica em flavonoides, poderosos agentes antirradicais livres, moléculas danosas acusadas de semear doenças diversas. Essa substância está por trás da boa fama que o vinho ganhou nos últimos anos, especialmente no quesito prevenção de males cardiovasculares. O estudo espanhol acompanhou a saúde de 50 homens e mulheres, divididos em grupos que consumiam e não consumiam cerveja. A pesquisa revelou que o malte e a cevada reduziam casos de desnutrição, além de produzirem efeitos positivos na prevenção do câncer e de doenças cardíacas. Outra pesquisa, esta feita pelo British Heart Institute, apontou características positivas na preservação das veias e artérias que alimentam o coração de sangue. O estudo revelou, ainda, que os benefícios são sentidos de forma mais intensa nos homens do que nas mulheres. Segundo o British Heart Institute, as vantagens, no entanto, só são registradas entre pacientes com hábitos alimentares saudáveis, como dieta de baixa gordura e adeptos de atividades físicas regulares. O consumo em excesso, especialmente dos gêneros mais ricos em teor alcoólico, pode causar dependência química e males ao fígado e ao coração.
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